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Pacientes
Especiais
O
que é um paciente especial, e como o dentista deve capacitar-se
para atender às suas necessidades?
Pacientes
especiais ou portadores de necessidades especiais são indivíduos
que apresentam desvios no padrão de normalidade de sua condição
física, mental, orgânica e/ou de sociabilização.
Essa condição pode ser de caráter transitório
(ex.: gravidez) ou permanente (ex.: paralisia cerebral). O dentista
que se propõe a atender pacientes especiais precisa ter conhecimento
das características e particularidades desses indivíduos.
Para essa finalidade, existem vários cursos, estágios
e literatura científica que capacitam o profissional para
o tratamento odontológico. O consultório é
basicamente semelhante aos outros, porém, há necessidade
de espaço físico adequado (rampa, portas, corredores
amplos) e, muitas vezes, instrumentos odontológicos de tamanho
reduzido.
Qual
a real necessidade do tratamento odontológico em um paciente
especial com comprometimento severo?
Todo
indivíduo, mesmo aquele mais comprometido, deve ter boas
condições bucais para que sejam evitadas complicações
na função de mastigação e deglutição,
assim como para evitar focos de inflamação e infecção
que causam dor e podem afetar outros órgãos e, finalmente,
a saúde geral do indivíduo.
A
partir de que idade um bebê especial deve ir ao dentista?
Assim
como um bebê normal, o bebê especial deve ir ao dentista
antes mesmo de ter nascido o primeiro dente de leite,
para que o profissional institua um programa de prevenção
à cárie e a outras doenças bucais.
Que
tipos de cuidados caseiros os pais ou responsáveis devem
ter para melhorar as condições bucais desses pacientes?
Os
cuidados caseiros são essenciais para a prevenção
de várias doenças. O primeiro cuidado básico
é referente à higiene, que deve ser efetuada após
as refeições. Se for necessário, o paciente
pode lançar mão de recursos especiais, como escovas
com adaptadores, dedeiras, passa-fio etc. O segundo cuidado é
referente à dieta, que deve ser nutritiva, evitando-se os
alimentos ricos em açúcares e os pastosos. Os horários
corretos das refeições precisam ser observados. Medicamentos
com muito açúcar, salvo contra-indicação
médica, devem ser dados junto com as refeições.
Como terceiro cuidado básico, ressalta-se o uso do flúor
tópico na forma de dentifrícios, que deve ser realizado
diariamente, e o uso de soluções fluoretadas na forma
de bochechos, que pode ser instituído de acordo com as possibilidades
do paciente para sua execução, bem como de acordo
com o risco para o desenvolvimento da doença cárie.
A
alimentação especial que muitos desses pacientes têm
prejudica os dentes?
Em
alguns casos, sim. A consistência pastosa dos alimentos dados
a pacientes que não conseguem mastigar é um exemplo.
Nessas situações, o cuidado com a higiene deve ser
redobrado, o que infelizmente não acontece na maioria das
vezes.
O
stress de um tratamento odontológico pode agravar
o estado emocional do paciente?
Algumas
vezes, sim. É necessário que o dentista coloque para
o paciente e familiares os benefícios do tratamento odontológico
para que ele se sinta cuidado. Há aqueles que
apresentam menor capacidade de entendimento ou são mais ansiosos;
para eles, o tratamento odontológico apresenta-se como um
fator estressante. O profissional pode lançar mão
de recursos terapêuticos que visem minimizar essa situação
desfavorável.
Como
conseguir cooperação para o tratamento quando o paciente
apresenta comportamento agitado?
Vários
métodos podem ser utilizados, desde o condicionamento verbal,
passando pela contenção física, até
métodos de sedação. Como último recurso
é usada a anestesia geral para a execução do
tratamento. A opção dependerá da condição
em que se apresenta o paciente, do contexto familiar geral e da
preferência do profissional.
Os
métodos utilizados não podem traumatizar o paciente?
Desde
que bem indicados e executados, não. O método utilizado
deve ser adequado ao paciente de modo a não traumatizá-lo.
Pode
ser utilizado calmante para o tratamento?
Sim.
Os sedativos ou calmantes são muito benéficos
em várias situações, melhorando o comportamento
do paciente e, conseqüentemente, as condições
de trabalho do dentista.
Quais
os problemas bucais mais comuns nos pacientes especiais?
Os
problemas mais comuns são a cárie e a doença
periodontal, sendo esta última decorrente de problemas de
ordem local, geral ou medicamentosa (anticonvulsivantes). O tipo
de patologia que o paciente apresenta, como, por exemplo, distúrbios
neuropsicomotores, pode acarretar sérios problemas de oclusão,
decorrentes principalmente da hipotonia muscular (flacidez), levando
a alterações na relação maxilomandibular.
O
atendimento odontológico pode desencadear convulsões
naqueles pacientes que já tiveram crises?
O
atendimento odontológico em si não desencadeia convulsões
nesses pacientes. Mas o dentista precisa tomar cuidado para evitar
certos estímulos que podem desencadear crises, como, por
exemplo, acender o foco de luz de forma abrupta no rosto do paciente.
O dentista que cuida de pacientes especiais sabe como proceder para
evitar essas crises. De qualquer forma, é sempre importante
lembrar que o paciente não deve interromper sua medicação
para o tratamento odontológico.
Fonte:
APCD |